Novembro: A vocação é vivida na Igreja e pela Igreja

Toda vocação cristã é um dom gratuito do Pai que vem ao encontro dos seus filhos e a eles faz um convite. A iniciativa é sempre Dele. E aí realiza-se um diálogo vocacional entre Deus, que em seu amor chama, e o homem, que responde em sua liberdade. O próprio Jesus chamou diversas pessoas para segui-lo, as quais tinham a liberdade de dizer sim ou não. Lembremo-nos dos apóstolos, pessoas em sua maioria simples, que ouviram o chamado de Jesus e, deixando tudo, O seguiram. O contrário também acontece. O episódio do jovem rico é um exemplo daqueles que, embora tivessem boa vontade, não conseguiram dar um passo mais profundo de seguimento em busca da perfeição (cf. Mt 19, 16-22).

Todo chamado de Deus tem um objetivo. Sabemos que a vocação concedida gratuitamente pelo Criador a cada um dos seus filhos lhes servirá de caminho de felicidade e santificação, mas concomitantemente a isso para o serviço, isto é, a missão. Vemos no evangelho o processo que Jesus faz com seus discípulos: chama (cf. Mc 1,16-18), liberta (cf. Mc 2,13-14), forma e envia (cf. Mc 3,13-15; Rm 1,16). É sempre um chamado para a missão que ele atribui.

Sabendo que a Igreja, por sua própria catolicidade, “é por sua natureza missionária” (Ad Gentes, 2), toda autêntica vocação cristã é vivida na e pela Igreja, ou seja, em comunhão com essa mesma Igreja que é sacramento universal de salvação instituída pelo próprio Cristo.

Sendo a Igreja sinal e instrumento de salvação e união com Deus “é geradora e educadora de vocações” (Pastores Dabo Vobis, 35). É nela que a vocação de cada cristão se realiza, por isso é impossível a vivência da vocação cristã, qualquer que seja, em dissonância com a com a comunhão da Igreja. Segundo São João Paulo II: “A Igreja não só abarca em si todas as vocações que Deus lhe oferece, no seu caminho de salvação, mas ela própria se configura como mistério de vocação, qual luminoso e vivo reflexo do mistério da Santíssima Trindade. Na realidade, a Igreja, povo reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, leva em si o mistério do Pai que não chamado nem enviado por ninguém, a todos chama a santificar o Seu nome e a cumprir a Sua vontade; guarda em si o mistério do Filho que é chamado e enviado pelo Pai a anunciar a todos o Reino de Deus e que a todos chama ao seu seguimento; é depositária do mistério do Espírito Santo que consagra para a missão aqueles que o Pai chama mediante o seu Filho Jesus Cristo” (Pastores Dabo Vobis, 35).

Portanto, a vocação deriva e se realiza na Igreja, além de se configurar como importante serviço a Deus, ao crescimento do Reino e à edificação da própria Igreja. Agradeçamos ao Senhor que nos chama e nos envia a exercer o precioso dom do chamado em diversos ambientes: no trabalho, na universidade, na escola, na família, locais também de missão aos quais podemos viver a nossa vocação específica e contribuir com o crescimento do Reino e da Igreja.

Por Padre Marcelo Fernandes - Coordenador diocesano do SAV




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