Discernimento e discipulado

Em edição anterior do BIO abordamos sobre “discernimento” como caminho para descobrir a vontade de Deus, a uma vocação específica ou em algo pontual da vida.

“Discernir” é uma atitude de permanente busca, mesmo depois de ter “descoberto” a vontade de Deus, pois o processo de discernimento da Sua vontade ocorre na relação que costumamos ter com Ele, da forma como nos entregamos a essa relação, o que, obviamente, carrega a fragilidade de nossas percepções e na qual podemos projetar muito de nós mesmos naquilo que acreditamos ser a vontade divina.

Mas é claro que Deus, em seu poder, pode de modo claro e objetivo revelar a sua vontade. O mais importante é confiar na sua graça que nos acompanha e estar aberto a possíveis portas abetas, sabendo que esse exercício de discernir acontece ao longo da vida, que a vontade de Deus não nos vem pronta e acabada, mas vai se revelando ao longo do tempo e, com isso, o Seu projeto para aquele que O busca.

Como é importante, em tudo isso, buscar a Cristo, o Filho de Deus; em atender e saciar a sede da alma pelo encontro com o seu Senhor (Cf. Sl 62,2). E Ele nos faz um convite essencialmente vocacional: “Vinde ver” (Jo 1,39). Foi com estas palavras que Jesus respondeu aos discípulos de João Batista quando questionado onde morava. Esse “vinde e vede” é um convite para conhecê-Lo pessoalmente, aprender Dele e tomar consciência da sua vontade, na certeza de que uma das primeiras vocações do cristão, mediante este convite, é tornar-se Seu discípulo, e que tal vocação cristã vai amadurecendo gradualmente na procura, no encontro, no seguir e no permanecer com Jesus.

E todos os filhos de Deus, membros da Igreja devem se sentir – como de fato o são – chamados por Ele, vocacionados de uma vocação comum de discípulos-missionários de Cristo, pois a Igreja é a assembleia dos chamados: “Deus convocou a assembleia dos que em Jesus vêem, com fé, o autor da salvação e o princípio da unidade e da paz, e com eles constituiu a Igreja, a fim de que ela seja, para todos e cada um, o sacramento visível desta unidade salvadora” (Lumen Gentium, 9).

Em suma, cultivar uma relação de amizade com Jesus é essencial para um bom discernimento e a vivência dessa vocação cristã. Há alguns passos simples e interessantes que poderão nos ajudar no aperfeiçoamento dessa amizade com Deus, mas trataremos disso no próximo mês.

Confira a edição completa do Bio de maio

Por Pe. Marcelo





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