Dezembro: O homem criado pelo Amor e para a vocação do amor

“Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou” (Gn 1,27). O homem formado por Deus recebe a vida de Deus, mas não é como Deus. O homem veio do pó (cf. Gn 2, 7), ou seja, é criatura, não possui a vida em si mesmo. Ele não é a “imagem” de Deus, mas foi criado segundo a imagem de Deus, esse que é o Filho, o Logos. “O homem criado à imagem e semelhança de Deus é o homem interior, ‘invisível, incorporal, incorruptível e imortal’; é o homem feito de Gênesis 1,26 que é à imagem de Deus, não o plasmado de Gênesis 2,7” (LADARIA, Luis F. Introdução à antropologia teológica, p. 53).

Todavia, sendo Deus amor, e o homem criado por ele, foi então criado pelo Amor. Mas foi criado também para o amor, uma vocação inata a todo ser humano, pois fora criado à imagem e semelhança do Amor, isto é, Deus.

O homem, imagem de Deus, não foi criado para o mal, mas para o bem, pois a bondade está na essência Deus, e somente ele é bom (cf. Mt 19, 17). São João Paulo II apresenta a ação de Deus de “olhar” para si mesmo antes criar o ser humano:

“Antes de criar o homem, o Criador como que reentra em si mesmo para procurar o modelo e a inspiração no mistério do seu ser, que já aqui se manifesta de algum modo como o ‘Nós’ divino. Deste mistério deriva, por via de criação, o ser humano” (Carta às famílias, p. 15).

Nesse sentido, é possível perceber a intenção de Deus ao criar o ser humano ou o que ele quer para o ser humano: a felicidade, o amor. O livro da Sabedoria ainda diz: “Deus criou o homem para a incorruptibilidade e o fez imagem de sua própria natureza” (Sb 2,23). Tudo isso revela a dignidade do ser humano, constituído senhor das coisas terrenas (cf. Gn 1,26) e o amor imensurável que Deus deposita nele: “que é o homem, para dele te lembrares, e um filho de Adão, para vires visitá-lo? E o fizeste pouco menos que um deus, coroando-o de glória e beleza. Para que domine as obras de tuas mãos sob seus pés tudo colocastes” (Sl 8,5-7).

O homem deve refletir a imagem de Deus ao mundo, testemunhar o amor que Ele o chamou a viver. Ele é chamado à comunhão – como Deus é comunhão na Trindade. Quem opta por viver sozinho de tudo e de todos, caminha contra sua própria natureza e vocação: “O homem é, com efeito, por sua natureza íntima, um ser social. Sem relações com os outros, não pode nem viver nem desenvolver seus dotes”. Ele é constituído de corpo e alma, segundo a Gaudium et Spes, é “considerado em sua unidade e totalidade, corpo e alma, coração e consciência, inteligência e vontade” (Gaudium et Spes, 238).

Rendamos graças a Deus que nos cria por amor e que nos chama a uma vocação bela de amar e ser amado. Experimentemos o seu amor com o nascimento do Menino Deus em nossos corações.

Por Pe. Marcelo Fernandes de Lima - Assessor Diocesano do SAV




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