Chamado e discernimento

Toda vocação cristã nasce do diálogo entre Deus e o ser humano. Do chamado de Deus àqueles a qual ele quis (Mc 3,13) e da resposta livre e responsável do homem. De certa forma, ambos têm de desejar o mesmo objetivo. Essa é a dinâmica do chamado do Senhor: a sua iniciativa de chamar e a resposta do homem que se dá em sua liberdade.

Se a iniciativa de chamar é de Deus, significa que nenhuma vocação pode ser “forçada por qualquer pretensão humana, não pode ser substituída por qualquer decisão humana, pois é um dom da graça divina e não um direito do homem” (Pastores Dabo Vobis, 36). Nesse sentido, o discernimento é aspecto importante na dimensão humana para a real compreensão do chamado de Deus, mesmo para a elaboração de um projeto de vida.

Aprender a discernir a vontade de Deus exige um continuado diálogo com ele no silêncio da oração. É o caminho para tomar certas decisões e não se confundir com pensamentos ilusórios e subjetivos a respeito da vocação. Aprender a discernir significa viver as virtudes teologais, ou seja, em espírito de fé, depositando em Deus a nossa confiança e o nosso fim último; de esperança, acreditando nas promessas que o Senhor faz; e de caridade, na entrega à sua vontade e no serviço aos irmãos.

Discernir é importante em todas as situações da vida. É colocar-se diante da própria consciência numa atitude de aceitação e compromisso, na busca da verdade de si mesmo, sem máscaras, compensações ou subterfúgios, corrigindo o que se deve corrigir e aperfeiçoando os dons recebidos de Deus para a tomada de uma posição pessoal.

É uma faculdade que deve ser exercitada, compreendendo realidades maiores a serem vividas, que nos capacita a perceber Deus e sua vontade. E isso não é o fim. Perceber a vontade de Deus é o começo de um trabalho e caminho junto com ele, pois tal percepção – talvez imediatista – pode não ser totalmente clara por conta da própria limitação humana. É um caminho de aprendizagem na vivência permanente da expectativa do novo, captando o sentido dos acontecimentos que ocorrem na vida e não simplesmente julgando a partir dos próprios hábitos e juízos particulares para que a vontade de Deus não se confunda com projeções pessoais do indivíduo.

É importante prestar atenção no decurso da percepção até a decisão, pois se os pensamentos, em seu começo, meio e fim são, em suma, bons, é um ótimo sinal, mas se o começo é bom e termina em algo não tão bom assim, talvez seja algo duvidoso. Por isso, jamais se fechar, mas permanecer aberto aos fatos que podem gerar novas provocações.

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